Ignorância propiciou mudanças climáticas

Data: 30/09/2015
Ignorância propiciou mudanças climáticas

O Presidente da República, Filipe Nyusi, considera que as mudanças climáticas que hoje se fazem sentir em todo o mundo resultam da arrogância e ignorância do Homem que, durante vários séculos, agiu como se fosse o único proprietário do planeta.

Filipe Nyusi proferiu estas declarações durante a sua intervenção num debate que teve lugar domingo na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. O painel em que participou o Chefe do Estado tinha como título “Protegendo o Nosso Planeta e Combatendo as Mudanças Climáticas”.

“Durante séculos, a nossa espécie agiu como se fosse a única proprietária do planeta. Por isso, pagamos caro por esta arrogância e ignorância. Não existe nação, não existe ser humano que não esteja hoje a sofrer as suas consequências”, disse Nyusi.

Explicou que as mudanças climáticas constituem um sério aviso que indica a necessidade para a adopção urgente de medidas para as devidas correcções.

“Temos que mudar práticas e atitudes em nome da nossa futura sobrevivência. Foi esta mesma instituição que em 1987 alertou sobre o perigo dos desequilíbrios ambientais”, disse.

O alerta vem inserido num relatório das Nações Unidas intitulado “O Nosso Futuro Comum”, que dava prova dos limites do uso desregrado dos recursos naturais e os prejuízos decorrentes da emissão, em grande massa, dos Gases de Efeito de Estufa (GEE).

O mesmo advertia que a economia e a política deveriam respeitar os processos ecológicos do planeta, através da adopção de uma nova cultura e atitude.

Por seu turno, o estadista moçambicano fez questão de vincar que “nós não somos donos”, mas sim moradores, pelo que, todos temos que cuidar da nossa única morada.

Assim sendo, a protecção do planeta e o combate às mudanças climáticas deveriam constituir uma preocupação central da intervenção de cada cidadão e de toda a sociedade como entidade colectiva.
“Caso não sejam tomadas medidas urgentemente, acertadas e concertadas, podemos comprometer a nossa própria existência como espécie humana”, advertiu Nyusi.

CONSEQUÊNCIAS NEFASTAS PARA MOÇAMBIQUE

NA sua intervenção, o Presidente da República explicou que Moçambique conhece bem os efeitos destas mudanças climáticas devido a factores geográficos limitados e à capacidade de resposta. E esta situação é exacerbada pelo deficiente acesso a tecnologias apropriadas, razão pela qual o país é extremamente vulnerável a estes fenómenos.

Reconheceu que o clima em Moçambique integra uma alternância de períodos de seca e períodos de cheias. Contudo, existem fortes indícios que apontam para um aumento significativo da frequência e intensidade da ocorrência destes fenómenos.

Como consequência, tornou-se mais frequente a ocorrência de eventos climáticos extremos tais como cheias, secas e ciclones, comprometendo a produção agrária e com um forte impacto negativo na segurança alimentar.

Por isso, o país já tem preparado propostas para o futuro regime climático, cujas medidas incidem fundamentalmente na adaptação e aproveitamento medidas de mitigação capazes de contribuir para a redução da pobreza e promoção de um desenvolvimento sustentável.

“Iniciamos também a elaboração de um programa de acção consubstanciada na Estratégia Nacional Adaptação e Mitigação das Mudanças Climáticas”, disse Nyusi, explicando que a mesma vai contribuir para a redução do risco climático nas comunidades e na economia social promovendo o desenvolvimento limpo e de baixo carbono.

Além disso, Moçambique está a integrar a resiliência climática e instrumentos de planificação do desenvolvimento abrangendo os distritos através de planos locais de adaptação.

Por outro lado, o Governo também está a reforçar o sistema nacional de observação hidrometeorológica e produção de conhecimento, sensibilização das comunidades, entre outras medidas.

RESPONSABILIDADE COMUM E ACÇÕES GLOBAIS

Filipe Nyusi disse esperar que todos os Estados atribuam a mesma prioridade para a solução do problema e que venham a ser adoptadas medidas vinculativas para todas as partes.
“Esperamos que o peso das mediadas de adaptação seja balanceado e de forma equilibrada para o conjunto das nações”, frisou, sublinhando que “esperamos finalmente que tudo se fará com a devida transparência para apoiar a concretização dos compromissos assumidos”.
O Chefe do Estado vincou ainda que a situação global é demasiado séria para o mundo se contentar com a produção de simples apelos ou aprovação de protocolos que não sejam integralmente por todos os países.

Enquanto isso, Moçambique continuará sempre empenhado nos esforços internacionais para minimizar os efeitos das mudanças climáticas, porque, segundo reiterou o Presidente da República, o Governo defende um ambiente saudável para uma vida saudável.